SAIBA COMO APROVEITAR O SAO JOAO DE RECIFE


Festas vão contar com músicos conhecidos e arraiais descentralizados. Visitantes podem também curtir pontos turísticos e comida regional



Aproveitar o São João na Região Metropolitana do Recife não é difícil. As opções de locais são variadas e voltadas a públicos diversos. Da Zona Norte à Zona Sul do Recife, em Olinda, Jaboatão e nas outras cidades da RMR, as festas não param. Ao contrário do Carnaval, não é época de sol forte e propícia para se bronzear nas praias, mas a cidade é acostumada a receber bem os turistas em qualquer ocasião. Correr para o Agreste e para o Sertão é sempre uma boa ideia, mas para quem prefere ficar na capital e nos arredores, há sempre uma opção para sentir o gostinho do interior na grande cidade. 

Apesar da crise econômica do país, os forrozeiros locais prometem uma festa arretada, como sempre. A sanfoneira Terezinha do Acordeon, por exemplo, diz que o recifense precisa se unir e se animar para fazer uma festa bonita, e que vai "se esforçar contra a crise". O portal Pernambuco.com elaborou um roteiro de locais para você visitar no Grande Recife durante o cilco do São João e aproveitar bem o clima local.

Uma atração é o projeto Eu Amo Minha Rua, organizado pela Prefeitura do Recife, que consiste em premiar, com um show de Maciel Melo e de um trio pé-de-serra, os moradores da rua que tiver a melhor decoração para o São João. Outras nove ruas serão selecionadas e também receberão um trio musical. Maciel não desanima nunca. "Apesar da quantidade reduzida de shows, a tradicional animação será mantida", afirma.




Como se fosse no interior

O forrozeiro Rogério Rangel indica o Sítio da Trindade, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, como um dos melhores lugares para se curtir as festas de junho e um bom "forró gonzaguiano", como classifica o cantor. O local, cuja fundação remete ao Forte do Arraial do Bom Jesus, dos tempos da Invasão holandesa a Pernambuco (1630-1654), é um dos polos de São João que mais atrai grandes números de pessoas durante as festividades. Os tradicionais concursos de quadrilhas juninas e quadrilhas infantis serão atrações desta 31° edição. O lugar, onde Alceu Valença também vai se apresentar este ano, também é o preferido de Terezinha do Acordeon e Maciel Melo. 

Palco para grandes shows

Outro ponto tradicional em termos de festas é a Praça do Arsenal da Marinha, no Recife Antigo. Revitalizada na década de 1990, a praça anualmente ambienta o arraial Antôno Baracho para quadrilhas juninas e bandas. As principais atrações para 2015 são Elba Ramalho, Genival Lacerda, Nando Cordel, Jorge de Altinho, Maciel Melo, Quinteto Violado, Silvério Pessoa e Petrúcio Amorim. O São João do Arsenal começa a funcionar no dia 19 de junho. Serão cinco noites de muito forró, com as atrações se apresentando a partir das 19h. 


Território do pé-de-serra 

A Sala de Reboco, no Cordeiro, fará uma homenagem, na véspera de São João, a Mestre Camarão, falecido em abril. Aclamada como a casa do "autêntico pé-de-serra", o local foi inaugurado em 1999, e desde então vem atraindo um público fiel. O sobrado funciona todas as quintas, sextas, sábados e vésperas de feriado, a partir das 22h, e conta com a já conhecida programação pé-de-serra que pode ser conferida clicando em seu site. A programação do São João, com todos os polos promovidos pela Prefeitura do Recife, foi divulgada e pode ser conferida abaixo.


Atrações turísticas

O pessoal que vem de fora aproveitar o São João no Recife pode visitar diversos pontos turísticos da cidade e se sentir no interior. O Centro de Artesanato de Pernambuco (F.: (81) 3181-3451), na Praça do Marco Zero, se tornou uma vitrine essencial para os artesãos do estado e é um equipamento criado para impulsionar a ocupação do centro da cidade nos finais de semana.


Francisco Brennand mantém sua famosa oficina ceramista no bairro da Várzea, zona oeste do Recife. O espaço se tornou sede dos trabalhos do artista em 1971, surgido das ruínas da antiga fábrica Cerâmica São João, administrada pelo pai do artista. São mais de duas mil peças em exposição, cujos temas variam entre natureza e sexo. A Oficina conta ainda com uma loja-café a Capela de Nossa Senhora da Conceição. As visitas acontecem de segunda a sexta-feira, a partir das 8h. Os ingressos custam R$ 10, com direito a meia-entrada.

Os mercados públicos do Recife e de Olinda também são uma boa pedida para os turistas. O de São José foi erguido em 1875 e é uma das primeiras construções do país a ter estrutura toda em ferro. Em seu interior, é possível adquirir objetos em barro, madeira, palha e fibra, além do bom caldo de cana moída na hora. O da Boa Vista foi construído no início do século XX, em meio a um conjunto arquitetônico composto por casario e as igrejas de Santa Cruz e de São Gonçalo.

Conta com 63 boxes, que comercializam gêneros alimentícios como frutas, cereais, verduras, carnes e peixes, além de abrigar armarinhos, salão de beleza e praça de alimentação. As estruturas e funcionamento dos mercados do Recife e de Olinda se assemelham e podem ser acompanhados no Pernambuco.com.


Onde comer

A culinária pernambucana é reconhecidamente uma das mais procuradas do Brasil. Para o São João, restaurantes regionais e padarias da capital e da Região Metropolitana estão a postos para o cliente que procura um bom prato típico. O restaurante Parraxaxá, tanto em Casa Forte quanto em Boa Viagem, funciona das 8h às 23h e conta com forró pé-de-serra todos os sábados. O buffet de pratos regionais custa R$ 54,90/kg, de segunda a sexta-feira, e R$ 58,90/kg, aos sábados, domingos e feriados. 


Já a Oficina do Sabor, na Cidade Alta de Olinda, está há quase 23 anos no mercado. A casa é decorada com a arte popular pernambucana, dando valor a quadros e artesanato locais em geral. As toalhas de mesa são feitas e pintadas à mão por artistas pernambucanos. O local tem capacidade para receber até 130 pessoas e, de seus terraços, é possível ter uma bela vista de Olinda e do Recife. Para consumir o prato-chefe da Oficina, o jerimum recheado com camarão, que serve duas pessoas, é preciso pagar R$ 14. Já a carne de sol, também para duas pessoas, custa R$ 93. 

Na Zona Sul do Recife, o Chica Pitanga é uma outra alternativa de culinária regional. O buffet, no almoço, de segunda a sexta-feira, custa R$ 62,90/kg, passando para R$ 69,90/kg, aos sábados, domingos e feriados. Já durante a noite, valorizando as comidas de milho, o restaurante também oferece uma boa variedade de bolos, como o de rolo, o pé-de-moleque e o Souza Leão. 

O Jabá Regional e Pizzaria, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes, é mais uma opção. A decoração é tipicamente nordestina, com sanfonas, artesanato em barro, balões e garçons usando chapéus de couro. Também há uma fogueira para os próprios clientes assarem milho. De quinta a sábado, a casa, que tem dois ambientes para comportar até 500 pessoas, conta também com shows de forró. Dentre os pratos mais pedidos, os cubos de jabá ao coco na moranga servem até três pessoas e sai por R$ 62,62. O restaurante fica na Avenida Bernardo Vieira de Melo, 1100, e o telefone é o (81) 3093-2770.

A tradicional padaria Roque é uma das mais antigas do Recife e fica no bairro de Jardim São Paulo, Zona Oeste. O espaço foi ampliado recentemente para também abrigar um restaurante. O self-service do local conta com pratos como charque nordestina, maminha ao ponto, iscas de fígado acebolado e carne ao molho imperial, além de doces, bolos e comidas de milho. 

Programação São João 2015 from Marcela Assis

EXPOSIÇÃO NO RECIFE REÚNE OBRAS DE ARTISTAS MODERNOS PERNAMBUCANOS

Mostra na GaleriaSete tem trabalhos de Cícero Dias e Lula Cardoso Ayres.
Espaço na Zona Sul da capital também exibe obras de outros cinco artistas.


Obras de Cícero Dias, Vicente do Rego Monteiro, Lula Cardoso Ayres e mais quatro artistas marcam a mostra de estreia da GaleriaSete, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A exposição 'Sete_Modernos', que reúne trabalhos dos principais artistas modernos pernambucanos, poderá ser conferida até 11 de agosto. A visitação é aberta ao público de segunda a sexta, das 10h às 19h.

Uma tela de Cícero Dias da década de 1940 é um dos destaques da mostra. A produção desse período – que resulta nas pinturas mais importantes do pernambucano, criadas quando ele estava exilado em Portugal, encontra-se na Pinacoteca de São Paulo, no MAM (RJ) e no acervo dos principais colecionadores do mundo. As obras refletem grande influência do cubismo, fato justificado pela estreita relação de amizade de Cícero com Pablo Picasso.

Tela de Vicente do Rego Monteiro retratando Nossa

Senhora da Conceição está na mostra
(Foto: Divulgação/GaleriaSete)

Também em 1940, Vicente do Rego Monteiro pintou três telas retratando Nossa Senhora da Conceição. Uma delas está exposta no Museu do Estado de Pernambuco. Outra integra a coleção do marchand Jean Boghici, no Rio de Janeiro. A terceira obra reapareceu em 2014 e foi adquirida pela GaleriaSete. A madona de Vicente, o 'elo perdido' dessa tríade, estará na mostra.

‘Ex Votos’, obra-prima de Lula Cardoso Ayres, datada de 1952, foi escolhida pelo próprio artista para o cartaz e o catálogo da sua maior exposição retrospectiva, no Palácio do Itamaraty, em 1972. Recentemente, o tesouro foi redescoberto pelo curador do Masp, que o requisitou para integrar a mostra ‘Histórias Mestiças’, realizada no Instituto Tomie Ohtake (SP), ano passado. Parte do acervo da GaleriaSete, a tela do mestre Lula Cardoso Ayres será, pela primeira vez, apresentada ao público pernambucano.

Além dessas obras, a GaleriaSete também recebe trabalhos de Francisco Brennand, João Câmara, Reynaldo Fonseca e José Cláudio. O espaço está localizado no Recife Trade Center. A curadoria é de Daniel Maranhão e Thomaz Lobo, sócios da galeria e colecionadores há mais de três décadas.

Serviço
Exposição 'Sete_Modernos'
Visitação até 11 de agosto, de segunda a sexta, das 10h às 19h
GaleriaSete - Recife Trade Center, Av. Domingos Ferreira, loja 71, Boa Viagem, Recife
Informações: (81) 3325-1656

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/06/exposicao-no-recife-reune-obras-de-artistas-modernos-pernambucanos.html

ARRASTA-PÉ E ANIMAÇÃO NO SAO JOAO DA TERCEIRA IDADE


Aproximadamente dez mil pessoas participaram, nesta terça-feira, da 12ª edição do São João da Pessoa Idosa, no Chevrolet Hall, em Olinda. O arrasta-pé foi animado pela banda Tangará.


A iniciativa foi articulada para assegurar os direitos sociais do idoso recifense. A realização do evento se enquadra na garantia ao lazer, visando a manutenção da vitalidade física e mental da pessoa idosa, além da vivência de forma intergeracional de uma das mais tradicionais manifestações da cultura local: os festejos juninos. 


O arraial integra o conjunto de ações da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O prefeito Geraldo Julio também participou do evento.

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2015/06/16/interna_vidaurbana,581564/arrasta-pe-e-animacao-no-sao-joao-da-pessoa-idosa.shtml

PESQUISA RESGATA HISTORIAS DE ARTISTAS INVESTIGADOS E FICHADOS EM PERNAMBUCO ENTRE 1934 E 1958


Criado em 2012 pela carioca Clarice Hoffmann, projeto divulga arquivos na internet


Recife, 1944. A atriz e cantora Anita Palmero está de passagem pela cidade, em turnê. Moradora do Rio, a espanhola naturalizada argentina, de 42 anos, é conhecida das rádios portenhas. Uma noite, conversa animada com militares americanos no Grande Hotel, sem saber que comete uma violação. Suas gargalhadas são escandalosas para autoridades que a observam de uma mesa próxima. Advertida, ri ainda mais e acaba levada pelo secretário de Segurança Pública, Etelvino Lins. A partir daí, passa a ser investigada pela Delegacia de Ordem Pública e Social, que depois daria origem ao Departamento de Ordem Pública e Social (Dops). Agora, 71 anos depois, a história vem à tona, como parte do “Obscuro fichário dos artistas mundanos”.


O projeto foi criado em 2012 pela carioca Clarice Hoffmann, com patrocínio do Itaú Cultural e do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura. E consiste na divulgação, por enquanto em um blog (obscurofichario.com.br) e no Facebook (www.facebook.com/obscurofichario), de arquivos encontrados pela jornalista e produtora cultural no Dops de Pernambuco. Em 2004 Clarice fazia uma pesquisa sobre mulheres negras no local quando comentou com uma historiadora que sua avó, conhecida como Gusta Gamer, era atriz e tinha sido fichada pela polícia. Acabou encontrando assim uma série de documentos sobre pessoas que tinham ligação com a área artística. São 404 fichas das letras M a Z produzidas pelo Dops entre 1934 e 1958 para monitorar artistas em trânsito por Pernambuco. Cerca de 60% são mulheres; e 40%, estrangeiros. Os arquivos das letras A a L não foram encontrados — acredita-se que tenham sido perdidos em algum acidente envolvendo água, já que parte do material descoberto estava molhada. Um cruzamento de dados, no entanto, permitiu aos pesquisadores estimar que tenham havido mais de 1.100 fichas.

— Sem querer, acabaram criando documentos importantes sobre um circuito underground, da boemia. A ideia de mundano vem daí, do fato de esses artistas serem da noite, estarem ligados aos prazeres do mundo, sempre de passagem — comenta Clarice ao explicar o nome do projeto, atualmente em fase final de pesquisa, na qual a equipe procura mais informações sobre os personagens em bibliotecas, jornais e revistas.

A ficha de Sixto Argentino Gallo é um dos exemplos que se enquadram bem na classificação. “Menor homem do mundo”, ele era uma das 200 atrações do Circo Hispano-americano, que chegava ao Recife em 1950. No jornal “Diário da Manhã” daquele ano, o espetáculo era anunciado como “o mais moderno já visto na capital”.

A lista do Dops incluía artistas famosos, como Dalva de Oliveira e Grande Otelo, grupos de teatro e integrantes da indústria do entretenimento que então se formava. Mas são os “mundanos” que mais chamam a atenção. Personalidades como Norberto Americo Aymonino, transformista argentino, que costumava se apresentar no Rio, com passagens pelo Recife. Foi fichado numa delas, em 1942. Desde 1941, Aymonino conquistava o público local em suas participações na Festa da Mocidade. Reportagem daquele ano, no “Diário da Manhã”, afirmava que Aymond, como também era conhecido, se apresentava “em toilette feminina”, com “voz, corpo, pele, braços e pernas de mulher”. O texto terminava com a pergunta: “No caso de mobilização, qual seria a situação de Aymond, o transformista?”

Enquanto a sexualidade do artista era questionada, Maria Montezinos, considerada “a mais absoluta das bailarinas espanholas”, surgia como “cosmopolita e provocante”. Fichada pelo Dops em 1939, ela fora notícia no “Correio Paulistano”, um ano antes, bradando contra Romeu: “O que mais me desagrada (...) é a falta de iniciativa. Se tivesse sugerido a Julieta que fugissem juntos, ela, apaixonada como estava, tê-lo-ia acompanhado de olhos fechados. Mas Romeu, estúpido, preferiu a isso ficar ridiculamente pendurado na escada de corda, atirar-se ao chão na cela de frei Lorenzo e ingerir, num cemitério, como uma costureirinha qualquer, uma pastilha de sublimado. Horrível!”.

Para Durval Muniz de Albuquerque Júnior, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e consultor do projeto, a forma como Maria e outros artistas são descritos nas fichas do Dops casa com o contexto de fiscalização da época:

— A categoria artista já é suspeita por si só. São pessoas que mudam de nome, e muitas mulheres foram investigadas porque, numa cultura machista, desconfia-se de quem trabalha à noite. Além disso, os corpos que não correspondiam ao padrão eram criticados. O período Vargas é marcado pelo pensamento eugenista, quando alguém podia ser criminoso só por conta de sua constituição corpórea. Anões e mulheres barbadas, por exemplo, eram acompanhados de perto.

O professor esclarece ainda que nômades historicamente foram alvo de suspeita para o Estado, assim como os comunistas no período estudado pelo “Obscuro fichário”. Os Cossacos de Kuban, portanto, representavam ameaça dupla. Formado por artistas russos, expatriados depois da revolução de 1917, o grupo se apresentou pelo Brasil com espetáculos que envolviam equitação.

— Depois, cada um foi procurar emprego para conseguir se manter aqui — conta o artista pernambucano Paulo Bruscky, de 66 anos, filho do “cossaco” Eufemius Bruscky e que só descobriu a ficha do pai a partir do contato de Clarice. — Eu já andava atrás do fio da meada dos Cossacos, mas foi graças a ela que cheguei às informações do Dops. Foi uma das emoções mais fortes que já tive, porque era uma lacuna. É mais um episódio obscuro passado a limpo — diz Bruscky, que pretende lançar um livro sobre o grupo, que teve integrantes fichados e outros investigados, como seu padrinho, Timóteo Scrypnik.

‘O QUE VIVEMOS E O PERIGO QUE ISSO SIGNIFICA’

A investigação ia além do fichamento, com uma pasta reunindo vários documentos sobre a pessoa. Aconteceu com Nilo Scansetti, entre outros. Considerado um “artista enciclopédico” por saber dançar, cantar e tocar, Nilo foi gerente das casas noturnas Casino Atlântico, Taco de Ouro e Imperial Casino. Já havia sido acompanhado por suas atividades, e ainda foi acusado de embarcar num navio sem passagem. Sua pasta continha 19 documentos, entre telegramas, fotos, cartão de visita, bilhetes e até notas de compras de tecido.

Muitos artistas eram seguidos pela polícia, como ocorreu com Boris Popoff. Um dos sócios do Bar Restaurante Familiar Tabu, que recebia sempre os Cossacos de Kuban, o russo era também representante de um laboratório de remédios. Pelas viagens rotineiras e por ser considerado “inteligente, ardiloso, falastraz e com respostas sempre prontas e hábeis”, levantou suspeitas de que seria agente internacional. E até o cardápio de seu bar foi anexado à investigação: os nomes estrangeiros dos pratos poderiam ser um código.

No cerco do Dops chama a atenção também a história da bailarina e contorcionista Rita Gouillaux, investigada por apresentar diferentes dados, dizendo-se francesa e italiana; solteira e casada; doméstica e artista. Rita aparece também com outros nomes, como Jacque Line Rolland.

— Foi uma tática muito adotada — diz Clarice, lembrando que será lançada uma convocatória para que artistas possam desenvolver trabalhos inspirados nas histórias. — Numa ditadura, os primeiros forçados a se calar são os artistas. Num momento em que alguns falam na volta desse regime, trazer à tona essas histórias dá a dimensão do que vivemos e do perigo que isso significa.

Fonte: O Globo