MUSEU CAIS DO SERTAO CELEBRA O LEGADO DE LUIZ GONZAGA



Construído em Recife, projeto quer fazer justiça à dimensão universal do artista É como se, quase 101 anos depois do nascimento de Luiz Gonzaga, Pernambuco, enfim, o reconhecesse oficialmente como filho ilustre. 

A obra de R$ 100 milhões conta com dois módulos. Dedicado a retratar a vida e a cultura do Sertão nordestino, terra de origem e fonte de inspiração do grande Luiz Gonzaga, o museu usa a vida desse artista pernambucano como fio condutor, ao mesmo tempo em que mistura o tradicional ao moderno. O Cais do Sertão foi instalado no lugar de antigos armazéns no Porto do Recife e aproveita vários recursos tecnológicos pra possibilitar interação e diversão enquanto a gente vive um pouco dessa realidade tão brasileira. Esse mergulho tá dividido em diferentes facetas: viver, trabalhar, cantar, ocupar, crer, migrar e criar. 

A responsável pelo projeto é Isa RELACIONADAS Ferraz, levou para o Recife que foi cercar-se de um time de notáveis para traduzir o músico nos 7,5 mil m2 que recebeu para criar. Zé Miguel Wisnik e Tom Zé foram dois dos curadores. Antônio Risério foi consultor especial e escreveu o texto de fundação do projeto. Cineastas como Lírio Ferreira, Carlos Nader, Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Sérgio Rozemblit cuidaram do audiovisual. Artistas plásticos como Derlon Almeida, J. Borges e Luis Hermano colaboraram com ideias e montagens. Além da interação, marca nas montagens de Isa, o projeto quer também ser referência em acervo sonoro. O andar superior do módulo 1 deve reunir a extensa discografia gonzaguiana em plataformas digitais. A força de Gonzaga para atrair turismo é levada em consideração pelo governo. Não por acaso, o museu foi erguido em um dos espaços turisticamente mais nobres do Recife. 

Na entrada, um juazeiro. Seco, com mais de 50 anos e pesando 10 toneladas, ele foi trazido do interior de Pernambuco pra junto do mar. Seu trabalho, agora, é receber os visitantes do Cais do Sertão, no Bairro do Recife. Um dos equipamentos culturais mais recentes e mais incríveis da cidade. É difícil não se impressionar desde os primeiros passos. O espaço é amplo e mescla de maneira natural a reverência à obra de Gonzagão – podemos ouvir suas músicas, conhecer seu percurso, tocar instrumentos e até cantar – à história do Sertão. 

Já no começo, encontramos as roupas e a sanfona do artista, a reprodução de uma casa sertaneja, depoimentos e explicações sobre objetos e personagens típicos dessa região. É uma aula bem lúdica sobre coisas que tão aqui pertinho da gente. Entre o barro e o touch screen, eu e todo mundo que conheço que já foi lá ficamos encantados. Num jogo apresentado por Tom Zé, somos desafiados a pensar em soluções para a seca. 



Aqui e ali encontramos brinquedos e objetos de trabalho sertanejos. Num espaço fechado, vemos um curta-instalação do recifense Kléber Mendonça Filho. Num túnel todo modernoso, ouvimos vários sinônimos de diabo: demônio, coisa ruim, capeta, satanás… E em duas salas, uma na entrada e outra ao fundo do andar térreo, são exibidos curtas assinados por cineastas como Lírio Ferreira, Paulo Caldas e Marcelo Gomes. 



Também no primeiro andar, podemos bater um papo com emigrantes sertanejos. São várias telas com depoimentos de pessoas que saíram do Sertão e arredores (incluindo outro Luiz, nosso ex-presidente) e levaram a cultura dessa região e as canções de Gonzaga Brasil afora. Enquanto a gente não tá sentado ouvindo o que eles têm a dizer, eles ficam nos esperando, se mexendo, se ajeitando na cadeira. 

O Cais do Sertão abre de terça-feira a domingo. Localização: Avenida Alfredo Lisboa, um pouco depois do Marco Zero, no Recife Antigo. Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia); gratuito às terças. 

Fontes: http://www.janelasabertas.com/2014/07/18/museu-cais-sertao/
Fontes: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,museu-cais-do-sertao-celebra-o-legado-de-luiz-gonzaga-imp-,1085200.