ECONOMIA PERNAMBUCANA 2014 - CAMINHOS DE PERNAMBUCO



“A economia pernambucana está ancorada no setor de serviços (73%), depois vem indústria (22%) e agropecuária (5%). Os serviços vão continuar no topo, mas os empreendimentos vão fortalecer a presença da indústria e transformar a matriz industrial do Estado, tradicionalmente ancorada na cana”, observa o presidente da Condepe/Fidem, Maurílio Lima. Pelo Estudo dos Impactos dos Investimentos na Economia de Pernambuco (realizado pelo Condepe), só a Refinaria Abreu e Lima vai agregar R$ 6,6 bilhões ao PIB do Estado (quando entrar em plena operação). Sobre o PIB estimado para 2014 (R$ 143 bilhões), a unidade de refino significaria uma contribuição de 4,6%. A PetroquímicaSuape (complexo petroquímico integrado por três indústrias), iniciou a operação da primeira planta no início de 2013 e vai disparar as outras duas esse ano. O complexo fabricará resinas para embalagens PET e fios têxteis de poliéster.

O impacto da Fiat na economia pernambucana ainda será calculado. “Ainda não fizemos esse estudo, mas sabemos que será importante e maior do que o inicialmente previsto porque o projeto da montadora mudou e, ao invés de fabricar carro popular, a Fiat vai produzir veículos de maior valor agregado, o Jeep Renegade. Com isso, a cadeia e os insumos na produção vão mudar”, explica o coordenador técnico do estudo do Condepe, Wilson Grimaldi. Além do investimento de R$ 4 bilhões realizado pela empresa, o parque industrial integrado por 16 fornecedores vai agregar outros R$ 2 bilhões. Todo o complexo automotivo vai turbinar o mercado de trabalho no Estado em 8 mil postos.

Além da Fiat, outros empreendimentos da Zona da Mata Norte ganham ritmo em 2014. O ano marca a conclusão da obra física e das instalações da Empresa Brasileira de Hemoderivados (Hemobrás). “2014 será fundamental para nós. Até o final do ano vamos contratar 120 profissionais aprovados em concurso, além de aumentar a distribuição do nosso primeiro medicamento autorizado pela Anvisa (Hemo-8R) e de realizar investimento de R$ 180 milhões na planta”, destaca o presidente da Hemobrás, Rômulo Maciel Filho.

Em ano eleitoral, o governo federal vai se empenhar em acelerar o ritmo de obras de infraestrutura. A Transnordestina foi desmobilizada há sete meses, depois da saída da Odebrecht do projeto, e está em fase de contratação das novas empreiteiras para ser retomada. A transposição também enfrentou problemas de mudanças de construtoras. “Na transposição, não penso que o governo federal vai conseguir alocar muito dinheiro, na medida em que estamos numa situação fiscal delicada. A Transnordestina tem problemas de outra natureza. Não acredito numa aceleração das duas obras”, diz o economista Sérgio Buarque.

Em Suape, o polo naval ganha corpo com a entrega do primeiro navio do estaleiro Vard Promar e a aceleração do cronograma do Atlântico Sul. Foram os estaleiros, aliás, que iniciaram o processo de redesenho da economia pernambucana.